quinta-feira, 4 de junho de 2015

Alunos com distorção série-idade: e agora, o que fazer???

A história do leão que não sabia escrever


 Essa história é linda e a primeira vez que escutei, me apaixonei. Na época ela serviu como uma luva para um aluno que não demostrava muito interesse por ler e escrever. Esse ano recorri a ela novamente e com a mesma intenção: mostrar a importância da leitura e da escrita para a vida em sociedade.

 Ao final do primeiro bimestre recebi dois alunos na minha turma de 2º ano. No mesmo momento que olhei para eles me veio a pergunta: " Será que sabem ler?"

 A resposta, ao final da aula eu já sabia: Não! Até aí tudo bem, é comum ver alunos do 2º ano em processo de alfabetização, a única questão que chamou minha atenção foi a idade deles. O mais velho, com 12, chegou silábico e o outro com 9 era apenas copista, não identificava as letras do nome. 

 Nesse momento o professor faz uma escolha: Deixar prá lá, porque se não aprendeu ainda...Ou investir e acreditar!

Eu escolhi acreditar, mas também era preciso fazê-los acreditar em si!

 Como tudo começa na motivação correta, na semana seguinte iniciei a leitura do livro do leão. Ele conta a história do rei da floresta, que só precisava rugir para ter as coisas. Até que se apaixonou...A leoa era uma dama, lia livros. Agora tudo o que o leão sabia não adiantava de nada, o que ele queria mesmo era escrever uma carta para sua amada... Mas não foi tão fácil assim!


 O legal do livro é que ele abre um leque para discussões sobre a importância da alfabetização, da escola, do esforço pessoal e mostra que com dedicação e um pouco de amor todos podem aprender!

 Depois da leitura, no slide, porque ainda não tenho esse livro, fizemos um texto coletivo. Nesse dia trabalhamos a estrutura do texto e as palavras com ão.

 No outro dia, passei o texto para o cartaz com letra cursiva, pois muitos alunos já estão fazendo a troca e dessa forma, aos poucos os outros vão acompanhando também. Coletivamente, fizemos toda a análise: letra maiúscula, espaçamento, sinais de pontuação. Enquanto eles pintavam cada elemento com uma cor diferente, nós conversávamos sobre suas funções.




 No dia seguinte fizemos nossa segunda produção: os alunos tinham que imaginar que eram o leão e que ele já sabia ler e escrever e então fazer uma carta para leoa. 

 As produções são momentos onde mais faço mediações, sempre sento com os alunos com mais dificuldade e faço eles refletirem sobre o que querem escrever, leva tempo, mas dá certo!

 Essa produção foi baseada nos conhecimentos prévios, ainda não tinha explicado como se faz uma carta.

 Então, essa foi nossa tarefa: aprender a escrever uma carta de verdade. 

        

Comparamos o modelo com a carta escrita por uma das alunas no dia anterior e corrigimos o que foi preciso. Assim foi mais um dia.


 Era hora de colocar os conhecimentos em prática. Ensinei a fazer o envelope e disse que eles poderiam escrever uma carta para quem quisessem. Muitos seguiram a estrutura correta, utilizando até remetente e destinatário. 

 Essas foram para mim:


Foi mais um momento de pensar sobre a escrita!

Fechamos essa sequência com uma peça! Foi lindaaaa!!! Meus atores preferidos!

           

              

 Em meio as atividades do livro trabalhei outros conteúdos paralelamente. O mais importante é que nessa dinâmica de ler e escrever todo dia, os dois alunos progrediram bastante. 

 Um já está produzindo textos sozinho, está silábico-alfabético, lendo melhor a cada dia! O outro identifica algumas letras do alfabeto e seus sons, escreve silabicamente; com a mediação e  o esforço dele, já já tenho novidades!

 É preciso ler para que se aprenda a ler e escrever para que se aprenda a escrever. A reflexão deve ter lugar na sala de aula!

 Faça da sua sala de aula um espaço para reflexão!!! Crie suas estratégias e acredite nelas! 

                                     

 E se der certo, compartilhe! A troca é uma grande ferramenta de aprendizagem!!!

Obrigada por sua visita!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário