terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Dica de leitura: Sistema de escrita alfabética



 Infelizmente aprendi a gostar de ler um pouco tarde... Achava uma tarefa chata na adolescência, na época da faculdade lia só para estudar, até descobrir que amava a alfabetização! Toda leitura sobre esse tema, a partir desse momento, passou a ser prazerosa.

 Com o tempo aprendi que um bom livro é uma ótima companhia,  aprendi também que você só forma alunos leitores, sendo um professor leitor! 

 E hoje compartilho com as crianças a alegria que é ler e descobrir coisas novas e eles sempre indicam livros que gostaram para eu ler, acho fantástico!!!

                                                         

 A dica de hoje é um livro que peguei emprestado na biblioteca da escola há uns meses, ficou na minha estante, ao lado da mesa na sala de aula para que eu pudesse ler nos momentos vagos. Loucura pensar isso... Não tive nenhum momento assim!!!

                                                          

 O livro ficou fechado, mas assim que entrei de férias, ele cumpriu rapidamente seu propósito!

 É uma leitura simples e com temas bem conhecidos, mas com abordagens diferentes das que comumente ouvimos.  O autor traz o foco sobre a apropriação do Sistema de escrita alfabética, tendo como base a teoria da psicogênese da escrita, de Emília Ferreiro e Ana Teberosky.

 Achei ótima a leitura, pois vai de encontro ao que tenho estudado: para alfabetizar é preciso conhecer esse ser que aprende, como ele aprende e o que, de fato, devemos ensinar

"O como ensinar", de acordo com  o autor  e com o pouco do que já sabemos, é quase impossível padronizar. Realmente não há a melhor forma, mas há princípios que não devem ser negligenciados.

                                                      

Esses princípios que todo alfabetizador deve considerar em sua prática é o que o livro aborda, reforçando claramente o papel da consciência fonológica em todo esse processo.

 Na internet o preço fica em torno de 60,00 reais e a coleção "Como eu ensino" traz outros temas bem pertinentes.

 Espero que aproveitem a dica de leitura e as férias!!!

 
 Até mais!!!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Contando com o relógio





 Sempre penso minhas aulas buscando alcançar todos os alunos, planejo atividades bem diferentes e uso de tudo um pouco.

 É bem verdade que essa tarefa é difícil, nossos alunos têm estilos de aprendizagem diversos e, claramente, dificuldades cognitivas, afetivas, neurológicas e tudo mais que encontramos em nossas salas. Assim se torna quase impossível alcançar a todos, mas é certo que se não houver tentativas, não haverá nem a expectativa de uma real aprendizagem.

 Nas últimas semanas fui surpreendida! Dei início a sistematização do conteúdo "horas", digo sistematização porque isso é diariamente discutido na sala, visto que temos um relógio e horários bem delimitados a cumprir.

 Resolvi começar com a contagem de 5 em 5, fundamental para "ver as horas". Escolhi esse livro: 

Algumas atividades que desenvolvi, estão no blog:
 http://numconstanteaprendizado.blogspot.com.br/2015/10/ditado-sim.html

          
                              Trabalhei com ele uma semana e suguei tudo que pude...

Mural feito com os alunos durante a leitura do livro.
              
 Na outra semana entrei no conteúdo em si com o livro "Contando com o relógio". Ele trata da compreensão das horas em forma de poema. 



 Duas tarefas ajudaram muito. A primeira foi colocar um lembrete dos minutos no relógio. No começo fiquei preocupada deles só conseguirem ver as horas com esse apoio, mas depois das aulas percebi que a maioria já lê as horas em outros relógios sem problemas. Para os alunos com dificuldade tornou-se um suporte.



 A segunda foi o relógio humano. Difícil é controlar os ânimos porque todos querem fazer e dizer que horas são, é claro, ao mesmo tempo!!!



           
 Mas com um pouquinho de muita paciência tudo se ajeita!

 Para concluir essa sistematização utilizei outro livro:






 Nessa última semana trabalhei outros conteúdos também, mas pedi uma tarefa nova: um resumo da história na produção de texto.


Matheus era silábico alfabético há alguns meses, escrevia poucas linhas aglutinadas, sempre contando sobre a parte que mais gostou da história. Olha quanta mudança! Disse a ele que esse foi seu melhor texto!!!

Essa gatinha já está usando até comparações!

 Esse são alguns exemplos bem sucedidos, eu diria! São alunos que já compreendem a função dos sinais de pontuação, conseguem expor bem suas ideias e testam as hipóteses ortográficas.



 Bom, me surpreendi porque não esperava que a turma fosse tão bem, mesmo os alunos com mais dificuldade conseguem ler as horas ao seu tempo.


 Tão importante quanto saber os minutos exatos é compreender a função do relógio, sua utilidade na nossa vida, sua importância e quanta falta ele faria se não existisse e isso eles sabem, com certeza!

Tente também, seus alunos  podem te surpreender!


Até mais!!!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Soma, dezenas e bolinhas de gude




 Na escola procuramos incentivar as brincadeiras antigas entre os alunos, embora muitos deles soltem pipa, pulem corda e batam piques, há outros que não aproveitam tanto esse tipo de diversão.

 No livro didático do 2ºano havia uma reportagem sobre as brincadeiras antigas, já que o dia das crianças tinha acabado de passar, aproveitei o tema.

 Analisado o gênero textual, as palavras e escrito seus próprios textos, fomos brincar: 


 de corda,
                                                      
   cinco marias...      


          E a tão esperada bolinha de gude...

         
                                                                         
  Listamos as brincadeiras que eles conheciam, então expliquei que tinha um jogo diferente. 

 Levei uma tabelinha para que eles pudessem anotar suas pontuações e depois conferir o ganhador.

                                                     

 A cada rodada um aluno atirava a bolinha em direção ao alvo, o objetivo era fazer a maior pontuação. Fiz três rodadas e a cada chance, deixava a distância menor. 

                                    

  No decorrer do jogo eles iam anotando os pontos feitos, somavam as dezenas inteiras e comparavam com os colegas. A etapa seguinte foi na sala, registrando os resultados e premiando os ganhadores.

                                 
 Ao final, cada um pode jogar bolinha de gude de sua forma preferida: mata-mata, trilho, paredão. Eu aprendi todas, mas confesso que não tenho muita habilidade...

                                                     

 Mas ainda há tempo para aprender, meus alunos são, também, bons ensinantes! 

 

Até a próxima!!!

sábado, 31 de outubro de 2015

Multiplicando com os três porquinhos


 Essa sequência que vou compartilhar hoje, de comparação de versões da mesma história, é a adaptação da ideia de uma colega do Pacto. Sempre achei muito bom trocar experiências, isso enriquece nossa prática.


                                          



 Meu objetivo principal  era iniciar o conceito de multiplicação no 2º ano, por isso escolhi a história dos três porquinhos, mas pude trabalhar muitos outros conteúdos.


 Depois da nossa primeira leitura pedi para que as crianças produzissem um texto seguindo a mesma estrutura da história lida, porém com outros animais em seus devidos ambientes, fixando o conteúdo de Ciências que já havia sido trabalhado. O resultado foi muito bom!

Esse aluno é alfabético, produz seus textos sozinho. Nesse corrigimos a utilização da letra maiúscula,
as questões ortográficas estão em desenvolvimento.


 Nem todos os alunos conseguiram estruturar o texto dessa forma, mas todos inventaram, escreveram e compartilharam suas ideias com a turma.

 Então partimos para a multiplicação, assim sem folhinhas, sem tabuada, sem "pontinhos sobre a matéria". 

 Conversamos sobre cada porquinho fazer uma casa e sobre o total de casas ser 3. Mas.... E se os porquinhos tivessem mais dinheiro e cada um fizesse duas casas? E se eles estivessem com disposição e cada um fizesse 5 casas? Assim 3x1, 3x2, 3x5. Começamos pela multiplicação por três. 

 Depois foi só fazer o registro no quadro e fixar com alguns jogos e exercícios durante as aulas seguintes. Muitos alunos entenderam logo o que era multiplicar, compreendido o conceito, o restante ficou mais fácil.

 Mas ainda não tinha acabado. Na mesma semana li esse livro com eles:

 



Aqui o lobo conta a versão dele dos fatos, dizendo que ele não é mau... Isso é culpa da mídia. Ele só estava resfriado e queria uma xícara de açúcar e quando foi buscar com os porquinhos, espirrou e a casa caiu...


 Mais uma oportunidade para produção de texto: Em quem você acredita? No lobo ou nos porquinhos?  


 Foi a primeira vez que a Manu escreveu sem mediação!



Shay foi uma das poucas crianças que acreditou nos porquinhos.

Esse rapaz escreveu seu texto opinativo muito bem, alfabético, testa as hipóteses ortográficas.

 Mais uma vez foi a hora de compartilhar as ideias entre eles. Para fechar a semana cada um fez seu fantoche.




Criança está na escola para aprender conteúdos! Ouvi isso essa semana e concordo plenamente, mas sabemos que há formas e formas de ensiná-los. 


 Essa é a minha! Espero que gostem e possam aproveitar essa troca! 




Até mais!!!

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Palestrando

 Palestra para alunos e professores do curso de formação de professores em Angra dos Reis, na semana de incentivo ao curso normal!

 Tema: A importância da formação, ação e reflexão para o professor.


 
O conhecimento é para ser compartilhado e as experiências divididas, seguindo sempre Num constante aprendizado!

      


domingo, 25 de outubro de 2015

Ditado sim!!!



  Mas nada de cobrança exagerada e nervosismo. A pequena ideia de hoje é da professora que me deu aula na 4ª série, Tia Dayse. Eu amava quando ela fazia esse ditado e por isso sempre faço com as crianças e elas adoram!!!

  Nessa atividade usei as palavras escritas por eles na aula anterior. Na semana estava trabalhando com esse livro:

                                               

 Utilizei como introdução para explicar a contagem dos minutos no relógio, que é feita de 5 em 5, trabalhei com as pinturas e paramos no caranguejo.

  Pedi para os alunos listarem outras palavras que conheciam com "GUE", no menor período de tempo, depois juntos, escrevemos palavras com "GUA" e "GUI" também. Nenhum aluno lembrou de palavras como ambíguo, por isso elas não entraram no cartaz, embora eu tivesse explicado que existiam.


 No dia seguinte, coloquei o cartaz no quadro e dei um tempo para que eles lessem e se preparassem, já havia falado que iríamos fazer ditado escondido!

  Depois de esconder ou cobrir o cartaz, os alunos precisam lembrar as palavras e escrevê-las.

 Vira uma emoção!!!

  Quando o papel é retirado eles mesmos contam quantas  palavras acertaram e corrigem seus erros:

Esse aluno seguiu o modelo do cartaz e lembrou todas as palavras, sem erros!!!

Esse lembrou oito palavras e encontrou seu erro sozinho.

O Cayo inventou palavras para completar as onze do cartaz e
 não conseguiu identificar todos os erros sozinho.


 Quando um aluno não encontra seus erros, eu faço a mediação para facilitar o processo, assim como durante toda a atividade.


 No fim , eles se divertem e aprendem! Vale por em prática essa pequena ideia!!!


 Obrigada por sua visita e até mais!!!

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Os neurônios da leitura



  A dica de leitura de hoje é voltada para aqueles, que como eu, buscam compreender um pouco mais sobre o aprender da criança.

 Estudando para meu artigo recebi a indicação desse livro. Fiquei, é claro, entusiasmada e corri para comprá-lo. 

                                                     

 Na internet o preço varia entre 50,00 e 70,00 reais mais o frete. Não é um livro com uma linguagem muito fácil, pois apresenta uma visão científica do tema.  Tem 374 páginas. 

 Antes de iniciar os estudos com ele é necessário conhecer um pouco sobre o funcionamento básico do cérebro, por isso indico a leitura de "Como o cérebro aprende". Aqui no blog tem a minha visão sobre o livro: http://numconstanteaprendizado.blogspot.com.br/2015/07/dica-de-leitura-como-o-cerebro-aprende.html .

 Poderia falar sobre dezenas de conclusões e definições científicas que o livro aborda, mas vou apontar a principal que será a base do meu artigo para a conclusão da pós: O caminho da leitura no cérebro.

 Em resumo, a leitura se realiza por uma via fonológica, onde a correspondência grafema-fonema é a base da aprendizagem.

 O que me fez pensar, mais uma vez, sobre a dificuldade, ainda encontrada, quanto aos métodos de ensino. Muitos deles buscam inovar, facilitar e até enformar o ensino da leitura, mas não levam em conta como isso ocorre no cérebro de uma criança.


                                                       

 Sabendo que há um caminho universal para o aprendizado da leitura e que nosso cérebro trabalha brilhantemente para  que ocorra a transformação de um símbolo, no caso o grafema, para uma imagem acústica, o fonema; não podemos deixar de lado todas as contribuições da consciência fonológica para o aprendizado da leitura e simplesmente adotar um novo método.

 Lembrando que não estou falando de método fônico, nem de nenhum outro, mas de conhecer como a criança aprende para saber como ensinar!

 No mais, tenho tentado realizar esse caminho, agora com mais clareza e certeza, em minha prática alfabetizadora que não está engessada num método, mas sempre em renovação. 

 Por isso sigo neste constante aprendizado, sabendo que o conhecimento unido à reflexão transforma nossa prática diária e consequentemente os resultados na sala de aula.


                                                 


Que o desejo de transformar não seja apenas uma vontade, mas uma oportunidade para fazer a diferença!!!

 Até a próxima!!!